Tiroteio em escola católica de Minneapolis deixa 2 crianças mortas e 17 feridos; FBI apura crime de ódio

Tiroteio em escola católica de Minneapolis deixa 2 crianças mortas e 17 feridos; FBI apura crime de ódio

O que aconteceu na Annunciation Catholic School

Duas crianças morreram e outras 17 pessoas ficaram feridas após um tiroteio em Minneapolis na manhã de quarta-feira, dentro do complexo da Annunciation Catholic School, no bairro sul da cidade. O ataque ocorreu durante a missa de acolhida do novo ano letivo, quando fiéis e estudantes ainda chegavam ao templo. A maioria dos feridos é de crianças entre 6 e 15 anos; dois paroquianos na faixa dos 80 anos também foram atingidos. Segundo equipes médicas, os ferimentos são compatíveis com munição de alta velocidade, e todos os sobreviventes têm expectativa de recuperação.

A polícia identificou a atacante como Robin Westman, 23 anos, que, de acordo com as autoridades, disparou dezenas de vezes de fora do prédio, atravessando as janelas da igreja. Westman utilizou três armas — um fuzil, uma espingarda e uma pistola — todas adquiridas legalmente. O tiroteio começou pouco antes das 9h, quando crianças e educadores iniciavam o serviço religioso. Dentro da igreja, adultos se abrigaram junto às crianças e as esconderam sob os bancos para tentar protegê-las do fogo cruzado.

Duas vítimas fatais são estudantes de 8 e 10 anos que participavam da missa. Em meio ao caos, o atendimento de emergência foi acionado e diversas ambulâncias e equipes policiais cercaram o quarteirão. Parentes e responsáveis correram para o entorno da escola em busca de informações. As atividades no local foram interrompidas, e a área foi isolada para perícia.

De acordo com a polícia, a atiradora morreu no local por ferimento autoinfligido. As autoridades afirmam não haver outros suspeitos. Até o momento, não há registro de antecedentes criminais significativos em nome de Westman. Documentos públicos indicam uma mudança de nome legal em 2020. As investigações seguem para entender a motivação precisa e o planejamento do ataque.

Investigação, contexto e resposta da comunidade

Investigação, contexto e resposta da comunidade

O FBI trata o caso como possível terrorismo doméstico e crime de ódio anti-católico, dada a escolha do alvo e o momento do ataque — uma missa escolar. Esse enquadramento depende de evidências de motivação por preconceito religioso e intenção de intimidar uma comunidade. Investigadores buscam mensagens, histórico digital, buscas recentes, possíveis cartas ou manifestos e conversas com pessoas próximas à atiradora para mapear sinais de radicalização ou planejamento prévio.

Quatro mandados de busca foram emitidos: um para o próprio complexo religioso e três para endereços associados a Westman. Nessas diligências, agentes podem coletar computadores, celulares, anotações, munições, recibos de compra de armas e qualquer material que indique a motivação do ataque. Também estão previstas análises balísticas, reconstituição da trajetória dos disparos e cruzamento de dados de câmeras de segurança do entorno.

As autoridades informaram que as armas usadas foram compradas dentro da lei. Esse ponto costuma orientar duas frentes de apuração: se houve falhas no processo de verificação de antecedentes e se havia sinais de alerta que poderiam ter acionado medidas preventivas, como ordens de proteção contra riscos (as chamadas leis de “bandeira vermelha”, onde existentes). Por ora, não há indicação oficial de que alguma dessas medidas tenha sido solicitada.

Para a comunidade católica local, a escolha de uma missa de boas-vindas ao semestre tem peso simbólico. Nessas cerimônias, famílias, alunos e professores se reúnem para marcar o início do período letivo, e a presença de crianças pequenas é grande. O ataque atingiu um momento de concentração de alunos, o que ajuda a explicar o número alto de feridos. A paróquia e a escola, que tradicionalmente servem como ponto de encontro do bairro, agora se tornam cena de investigação, um choque difícil de absorver para pais e educadores.

No hospital, médicos relataram ferimentos variados, desde lesões superficiais até perfurações que exigiram cirurgias de emergência. Equipes de apoio psicológico foram mobilizadas para atender familiares e estudantes. As identidades das crianças mortas não foram divulgadas, prática comum em casos que envolvem menores de idade, em respeito às famílias.

O perfil inicial traçado pela polícia indica que Westman agiu sozinha. Investigações desse tipo costumam passar por fases: estabilização da cena e atendimento às vítimas; coleta e preservação de provas; entrevistas com testemunhas; varredura digital; e, por fim, consolidação de um relatório preliminar com linhas de motivação. É nesse último estágio que se define o enquadramento como crime de ódio, quando há evidências concretas de preconceito contra um grupo protegido — no caso, católicos — como motor do ataque.

Eventos em locais de culto têm um histórico doloroso no país. Nos últimos anos, ataques contra igrejas, sinagogas e templos desencadearam debates sobre segurança em espaços religiosos, que, por natureza, são abertos. Em resposta, muitas instituições adotaram medidas discretas de proteção: planos de evacuação, treinamento de voluntários, simulações com forças de segurança e melhorias de infraestrutura, como reforço de portas e janelas. Ainda assim, a maioria tenta equilibrar acolhimento e vigilância para não transformar templos em ambientes hostis.

Em Minneapolis, o impacto do ataque se soma a discussões mais amplas sobre violência armada. Famílias próximas à Annunciation School relataram a sensação de vulnerabilidade por um alvo que parecia impensável: uma missa infantil. Educadores, por sua vez, apontam para a necessidade de rotinas de segurança que não traumatizem as crianças, um desafio constante em ambientes escolares.

Enquanto o inquérito avança, autoridades pedem que moradores evitem disseminar rumores e aguardem atualizações oficiais. Nas horas seguintes ao ataque, a circulação de informações incompletas em redes sociais gerou confusão entre familiares e vizinhos. A recomendação é priorizar comunicados das polícias local e federal, bem como da direção da escola e da paróquia.

O que se sabe até agora, segundo as autoridades:

  • Duas crianças — de 8 e 10 anos — morreram no ataque durante a missa da manhã.
  • Há 17 feridos, a maioria estudantes de 6 a 15 anos, além de dois paroquianos idosos; todos devem sobreviver.
  • A atiradora, Robin Westman, 23, disparou de fora para dentro da igreja e morreu no local por tiro autoinfligido.
  • Foram usadas três armas — fuzil, espingarda e pistola — compradas legalmente; dezenas de disparos foram efetuados.
  • O FBI investiga o caso como possível crime de ódio anti-católico e terrorismo doméstico.
  • Quatro mandados de busca estão em execução: um no complexo religioso e três em endereços ligados à suspeita.

Como próximo passo, peritos devem consolidar laudos balísticos e médicos, enquanto a polícia cruza depoimentos de testemunhas com imagens de segurança. Investigações em meios digitais — buscas, mensagens, postagens e contatos — tendem a ser decisivas para esclarecer a motivação. A administração da escola deve definir quando e como retomará as atividades, com apoio psicológico ampliado a estudantes e funcionários.

Para pais e mães do bairro, a pergunta que ecoa é simples e dolorosa: como garantir que crianças estejam seguras em rituais que deveriam simbolizar acolhimento? Respostas técnicas virão dos laudos e do inquérito. As outras — as que tocam confiança e rotina — vão depender de como a comunidade, a paróquia e o poder público caminham juntos depois de um dia que mudou a vida de tantas famílias em Minneapolis.

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