Copa do Nordeste: Confiança vence o CSA por 1 a 0 e chega à primeira final; Bahia é o adversário

Copa do Nordeste: Confiança vence o CSA por 1 a 0 e chega à primeira final; Bahia é o adversário

Um gol aos 38 minutos do segundo tempo mudou a história do futebol sergipano. Em Maceió, o Confiança venceu o CSA por 1 a 0 e carimbou vaga inédita na final da Copa do Nordeste. O lance decisivo nasceu de um contra-ataque puxado por Dionísio e terminou nos pés de Thiago Santos, que driblou o goleiro e um zagueiro antes de tocar com calma para a rede. O CSA teve mais posse, empurrou o adversário para trás, mas esbarrou na organização defensiva e na falta de precisão no último passe. Nos acréscimos, Betão acertou o travessão e deixou o Rei Pelé em suspiro, só que o placar não se mexeu.

O resultado põe o Dragão na primeira final de sua história no torneio e amplia para 10 a sequência de jogos sem perder na temporada. A equipe de Igor Magalhães amadureceu: aprendeu a sofrer, a esperar o momento certo e a ser letal quando o espaço aparece. É um time que vive bem sob pressão, baixa as linhas, protege a área e acelera a transição quando rouba a bola. Em Maceió, a estratégia funcionou como planejado.

Jogo em Maceió: eficiência do Confiança supera a pressão do CSA

O CSA comandou o ritmo por boa parte do jogo. Circulou a bola, tentou abrir a defesa rival com amplitude e paciência. Faltou transformar domínio territorial em chances limpas. Quando conseguiu finalizar com perigo, trombou com a boa noite do sistema defensivo do Confiança e com o detalhe que separa a rede balançando do lamento: a trave. A cabeçada de Betão, já nos acréscimos, resumiu essa linha tênue.

Do outro lado, o plano do Dragão foi claro: bloco compacto, coberturas bem coordenadas e aceleração imediata ao recuperar a posse. Dionísio foi o gatilho de muitos escapes, e Thiago Santos, a válvula de definição. No gol, os dois condensaram a ideia do time sergipano: dois toques, campo livre e frieza na frente do goleiro. O Confiança não precisou de muito volume para ser preciso.

A partida teve clima de decisão desde o apito inicial. Faltas táticas para quebrar ritmo, bolas paradas disputadas como ouro e paciência para achar o detalhe. O CSA tentou variar: cruzamentos, infiltrações pelo corredor esquerdo, diagonal curta do ponta para o meia. Faltou o passe que rompe a última linha. O Confiança controlou bem a zona do pênalti, venceu duelos aéreos e manteve o goleiro pouco exposto.

O que ficou para além do placar foi a maturidade competitiva do time sergipano. Em jogos assim, um erro custa caro. O Confiança errou pouco, geriu os momentos e foi fiel à estratégia. Não se intimidou com o Rei Pelé cheio nem com a posse adversária. Guardou energia para o sprint final e puniu.

O evento também trouxe um retrato da economia do futebol regional. O duelo recebeu 9.101 pessoas, sendo 7.007 pagantes, 1.544 não pagantes e cortesias, além de 550 crianças. As contas do jogo mostram a realidade de custos altos: a renda bruta foi de R$ 151.090,00, mas o saldo líquido ficou em R$ 2.529,10. Ao CSA, mandante, sobraram R$ 1.517,46. Em partidas com operação pesada — segurança, taxas, logística — milagre financeiro é raro quando o preço de ingresso não acompanha o gasto.

  • Público total: 9.101
  • Pagantes: 7.007
  • Não pagantes e cortesias: 1.544
  • Crianças: 550
  • Renda bruta: R$ 151.090,00
  • Saldo líquido: R$ 2.529,10
  • Repasse ao mandante (CSA): R$ 1.517,46

Para o Confiança, a classificação também tem peso simbólico. Em 2020, o clube parou em 4º lugar. Agora, rompe essa barreira e entrega a Sergipe o melhor desempenho do estado na história do Nordestão, superando a terceira colocação do Sergipe em 2000. É um marco esportivo que conversa com a base, com a formação, com a autoestima do torcedor e com a atração de patrocinadores.

O trabalho de Igor Magalhães aparece nas entrelinhas. O time aprendeu a ajustar distâncias entre setores, protege melhor as costas dos laterais e tem coordenação nas saídas em velocidade. Não é um elenco de estrelas, mas é um grupo que entendeu como competir. A invencibilidade de 10 jogos conta essa história: concentração, consistência e aproveitamento das poucas chances criadas.

A transmissão digital via NN Play no YouTube levou a semifinal a quem não pôde ir ao estádio e reforça uma tendência: alcance e engajamento crescem quando a porta de entrada é simples. Para clubes de fora dos grandes centros, essa janela ajuda a ampliar visibilidade e valor de marca.

O que vem pela frente: final em dois jogos contra o Bahia

O que vem pela frente: final em dois jogos contra o Bahia

Do outro lado da chave, o Bahia espera. A decisão será em ida e volta, nos dias 3 e 7 de setembro de 2025. Por ter a melhor campanha, o Tricolor fará o segundo jogo em casa, diante de seu público. Será a 10ª final do clube no torneio. A meta é clara: buscar o quinto título e igualar o Vitória como maior campeão.

O duelo promete choque de estilos. O Bahia costuma controlar jogos com posse, pressão pós-perda e bom aproveitamento de bola parada. O Confiança se sente confortável em cenários reativos, com espaço para acelerar. Detalhes como cobertura no corredor central, disciplina para fechar cruzamentos rasos e eficiência no primeiro passe da transição podem decidir a série.

Para o Dragão, abrir a final em casa tem um recado prático: marcar bem o adversário, evitar sofrer gol e levar a decisão viva para o jogo da volta. A gestão física também entra na conta. Em partidas de alta intensidade, o banco de reservas precisa entregar impacto imediato. Peças como homens de lado velozes e um meia que segure a bola podem ser diferenciais.

A comissão técnica já tem um caderno cheio de tarefas: estudar variações do Bahia, ajustar saída sob pressão, treinar bolas paradas defensivas e ofensivas e calibrar a transição curta para não rifar a bola. Do outro lado, o Bahia vai querer impor velocidade e amplitude para abrir a defesa sergipana. O xadrez está montado.

Independentemente do desfecho, o Confiança já mudou o mapa do futebol nordestino nesta temporada. Foi consistente desde a fase inicial, suportou ambientes hostis e soube decidir fora de casa. Agora, diante de um gigante regional, entra sem o peso da obrigação e com a confiança de quem já derrubou barreiras. Para Sergipe, é mais que um jogo: é a chance de subir um degrau no cenário nacional.

Calendário na mão, ansiedade ajustada e foco total. O primeiro capítulo da final está marcado. O Dragão chega vivo, competitivo e com uma identidade bem definida. O Bahia, experiente e favorito pelo histórico, terá de confirmar em campo. A última palavra, como sempre, será dita na bola.

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